segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O mais rico dos homens é aquele que tem menos necessidades.

Os males desse mundo ocorrem em razão das necessidades falsas que criais. Aquele que sabe limitar seus desejos e vê sem inveja o que está acima de si poupa-se das decepções nessa vida. O mais rico dos homens é aquele que tem menos necessidades. Invejais os prazeres daqueles que parecem os mais felizes do mundo; mas sabeis o que lhes está reservado? Se desfrutam desses prazeres somente para si, são egoístas, então virá o reverso. De preferência, lastimai-os. Deus permite algumas vezes que o mau prospere, mas essa felicidade não é para ser invejada, porque a pagará com lágrimas amargas. Se o justo é infeliz, é uma prova que lhe será levada em conta, se a suporta com coragem; lembrai-vos dessas palavras de Jesus: "Felizes os que sofrem pois serão consolados".


Do Livro dos Espíritos

Ricardo

Egoísmo

Entre os vícios, qual se pode considerar o pior?
– Já dissemos várias vezes: é o egoísmo; dele deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe egoísmo. Vós os combatereis inutilmente e não conseguireis arrancá-los enquanto não tiverdes atacado o mal pela raiz, enquanto não tiverdes destruído a causa. Que todos os vossos esforços tendam para esse objetivo, porque aí está a verdadeira chaga da sociedade. Aquele que deseja se aproximar, já nesta vida, da perfeição moral, deve arrancar de seu coração todo sentimento de egoísmo, por ser incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades.



Do Livro dos Espíritos

Ricardo

Paixões

Como definir o limite em que as paixões deixam de ser boas ou más?

– As paixões são semelhantes a um cavalo, que é útil quando é dominado e perigoso quando domina. Reconhecei que uma paixão torna-se perigosa no momento em que deixais de governá-la e resultar qualquer prejuízo para vós ou para os outros.
☼ As paixões são como alavancas que aumentam dez vezes mais as forças do homem e o ajudam na realização dos objetivos da Providência; mas se ao invés de dirigi-las o homem se deixa dirigir por elas, cai no excesso e até mesmo a força que em sua mão poderia fazer o bem volta-se sobre ele e o esmaga.
Todas as paixões têm seu princípio num sentimento ou necessidade natural. O princípio das paixões não é, portanto, um mal, uma vez que repousa sobre uma das condições providenciais de nossa existência. A paixão, propriamente dita, conforme habitualmente se entende, é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento. Está no excesso e não na causa; e esse excesso torna-se mau quando tem por conseqüência um mal qualquer.
Toda paixão que aproxima a pessoa da natureza primitiva a afasta de sua natureza espiritual. Todo sentimento que eleva a pessoa acima da natureza primitiva revela a predominância do Espírito sobre a matéria e a aproxima da perfeição.

Do Livro dos Espíritos

Ricardo

O que é caridade

 
Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade?
Benevolência com todos, indulgência com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.


Do Livro dos Espíritos

Ricardo

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Quem nunca mudou algo na vida depois de um susto?

"O homem deve procurar prolongar a vida para cumprir sua tarefa; eis por que Deus lhe deu o instinto de conservação, que o sustenta nas provas; sem isso, muitas vezes se deixaria levar pelo desencorajamento. A voz secreta que o faz temer a morte lhe diz que ainda pode fazer alguma coisa para seu adiantamento. Quando um perigo o ameaça, é uma advertência para que aproveite o tempo e a morada que Deus lhe concede. Mas, ingrato! Rende mais vezes graças à sua estrela do que ao seu Criador."

Do Livro dos Espíritos

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Chega!

"Quando comeis demais, isso vos faz mal. Pois bem: é Deus que vos dá a medida do que vos falta. Quando a ultrapassais, sois punidos. O mesmo se dá com tudo o mais. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que diz: Chega! evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza"


Do Livro dos Espíritos


Resgate da Religião


A palavra "religião", em latim, "religare", de acordo com os dicionários, significa “religar com o divino”. E o que seria isso ? 

Durante algum tempo em minha vida, a simples menção à palavra religião me deixava irritado. Minha intolerância às manifestações religiosas, que eventualmente presenciava, era acima do normal. Para mim, nessa época, estar ligado à algum tipo de religião era dizer ao mundo que o sujeito era fracassado. Em minha visão estreita, os únicos que literalmente lucravam com a fé eram os sacerdotes, ministros, pastores, bispos, e todos que se vestiam da religião que pregavam. Os fiéis que compareciam e suportavam suas igrejas eram, em minha opinião, apenas coitados; pessoas de pouco conhecimento e visão social.

Para mim, a religião não era algo bom. Em alguns casos, fora provado a má conduta em instituições religiosas, má fé, exploração de pessoas e falsidade ideológica. Sem contar perseguições e extremismos. E isso não é bom. Em vista desse lado inescrupuloso e sujo das religiões no mundo inteiro, uma imagem equivocada da idéia do que é o ato de se religar ao divino se confundiu com cenários menos nobres da raça humana. As alegorias contidas nas escrituras sagradas associadas às más intenções de muitos líderes religiosos, de todos os tempos e regiões do planeta, distorceram a idéia do que é religião. Para muita gente que conheço, a religião está associada à conflitos de todo tipo, controvérsias e paixões, que nada tem a ver com o amor, caridade e fraternidade; nada tem a ver com se religar a Deus.


Ainda hoje eu percebo que há muitos problemas no tange a indoneidade e objetividade das instituições religiosas. Entretando, meu entendimento de todo o contexto mudou. A fé sincera e o comportamento reto dos fiéis, de qualquer religião, os salvam e os mantém protegidos no caminho da elevação. Independentemente da idoneidade das instituições, aqueles que crêem em Deus e têm fé, caminham para seu progresso moral e praticam um pouco da verdadeira religião pois a idéia de se religar a Deus é muito ampla e está acima das verdades impostas pelas instituições e de qualquer ato lamentável que os cerca. O conceito de religião mudou para mim. O que antes era atrelado aos dogmas das instituições, hoje é inerente a fé, filosofia de vida e razão. Quando a humanidade entender o conceito de religião, não haverá mais diversas instituições religiosas ciumentas, demagogas e perigosas como as que vemos hoje, mas apenas fiéis, irmãos e sua intimidade com Deus.

A doutrina espírita, quando livre de qualquer profissionalismo religioso, também nos coloca em condições de entendimento de parte disso. A outra parte, se encontra em nosso íntimo, numa relação de buscas e descobertas, que poucos conseguiriam encontrar palavras para descrevê-la.

Ricardo

domingo, 30 de outubro de 2011

Alan Turing e os venenos da vida


Outro dia estava lendo sobre Alan Turing que morreu envenenado por cianeto. Não se sabe se foi acidental, mas o fato é que o veneno o matou. Alan é um dos nomes importantes na história da computação. Ele ajudou na construção do conceito de algoritmo e computação. Entre tantas coisas, trabalhava na inteligência britânica na época da segunda guerra e chegou a trabalhar na área química. Ele morreu após morder uma maçã que estava envenenada com cianeto.

Durante a leitura de sua breve biografia no Wikipedia, me ocorreu a seguinte pergunta: Qual o verdadeiro veneno que o matou? O cianeto foi decisivo, é verdade; entretanto, o que mais poderíamos dizer sobre venenos na vida do Alan?

De acordo com o site, Alan teve uma vida pessoal bem complicada por ser homossexual e porque vivia numa sociedade com pouca ou nenhuma tolerância ao homossexualismo. Ele sofreu um processo criminal por isso (além de preconceito, era ilegal qualquer ato homossexual no Reino Unido daquela época). Foi humilhado publicamente e impedido temporariamente de acompanhar estudos sobre computação, sendo julgado, mais tarde, por "vícios impróprios". Para não ser preso, se sujeitou a fazer tratamento com hormônios femininos, algo que se chama "castração química". Tempos depois, Alan foi encontrado morto em sua residência, tendo uma maçã ao seu lado. Ele teria injetado veneno nessa maçã.


Podemos imaginar que Alan teria cometido suicídio, embora sua mãe e outras pessoas consideraram, na época, que fora um acidente. Se o ato de Alan fora suicídio, qual seria o veneno que o teria matado além, claro, do cianeto? Seja qual for o motivo que levou Alan Turing à morte, podemos considerá-lo (o motivo) também como uma espécie de veneno. Esse veneno ou a razão pela qual ele morreu pode estar ligado à sensações e emoções que ele e todos nós vivemos todos os dias. Intolerância, egoísmo, orgulho, ódio, vaidade, preconceito, inveja e ciúmes são sentimentos e emoções presentes na vida humana que, caso não sejam devidamente tratados, podem trazer consequências devastadoras. São verdadeiros venenos na vida das pessoas e quase inerentes à alma humana dos mais desavisados. A intolerância, por exemplo, pode tomar proporções gigantescas. Juntamente com a ignorância, pode levar um país inteiro a cometer erros catastróficos. O orgulho e preconceito, que geralmente andam juntos em diferentes graus de tolerância e níveis sociais, acarretam prejuízo à todos os envolvidos ainda que seja de maneira inconsciente.

Qualquer sentimento desses pode ser encontrado em maior ou menor escala. Quantas vezes já nos pegamos envolvidos em pensamentos preconceituosos e intolerantes? Quantas vezes o orgulho ou o egoísmo, sejam de qualquer espécie, já visitaram nossos pensamentos mais descuidados? E a tal da inveja ou ciúmes? Esse pequenos delitos podem tomar conta de uma sociedade inteira. Eles ainda podem ser mais cruéis e podem afetar cada indivíduo e minar seus sentimentos, embrutecer sua alma e diminuir a possibilidade do sentimento de felicidade mais constante.  O egoísta nunca estará satisfeito, o intolerante sempre achará algo para ser insuportável e o orgulhoso nunca se enxergará como o que realmente é, simples humano.

Presentes em nossas vidas ou não, devemos ser vigilantes para que não nos contaminem e passem a nos guiar  dia-a-dia em pequenas ou grandes ocasiões. Que estes sentimentos estejam longe de nossos pensamentos e corações para que não nos acarretem problemas físicos ou morais. O cianeto pode ter matado Alan Turing fisicamente, mas quais seriam os outros venenos de uma sociedade contaminada que provavelmente o matara lentamente ao longo dos anos muito antes dele morder aquela maçã?

Ricardo






terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por que Espiritismo - Parte 3




É um pouco dessa confusão que eu via nas páginas da bíblia até pouco tempo atrás. Aos 8 anos de idade eu não tinha condições de entender coisas do mundo material e nem do espiritual sendo instruído através de tantas histórias fantásticas e frente à um mundo que ficava cada vez mais sério e diferente daquilo que acreditava ser algo perfeito. O mesmo ocorreu com o passar do tempo, nada mudou muito nos anos seguintes. As questões de fundo espiritual (vida, morte, espírito, céu, inferno, etc)  rondavam minha cabeça e não havia ninguém que pudesse responder de maneira clara, lógica e razoável. Mesmo frequentando o catecismo, aos 12, não tinha padre algum que dava jeito para que eu acreditasse em determinadas coisas que eles diziam ser reais. Desde a pré-adolescência eu me questionava quanto aos rituais católicos e seus textos, gestos e dogmas que não faziam sentido algum. A igreja não me dava respostas. A situação ficou ainda pior na fase adulta. Isso porque o ceticismo quase tomou conta de mim se não fosse pelo fato de que me deparei com determinados acontecimentos extraordinários ou, como podemos dizer, espirituais, e que me trouxeram novos questionamentos além daqueles que tinha em relação à bíblia e à religião. Ceticismo e fé cega são coisas que não podem caminhar juntas e isso me deixava confuso. Algo certamente estava errado. Como pode a ciência ser tão exata (em sua grande maioria) e ignorar a existência da alma?



Eu acredito que há vários motivos pelos quais a ciência não enxerga nada além daquilo que seja palpável, tangível, material. Contudo, penso que o principal motivo para que a ciência ignore as leis divinas é o fato de que tanto as escrituras sagradas quanto as religiões em si ainda são mal interpretadas por religiosos fanáticos ou mal intencionados. Por essa perspectiva, tanto a ciência quanto as religiões criam uma grande barreira entre si, chegam ao ponto de competir em alguns setores como o da saúde, por exemplo, ditam suas verdades e disparam uma confusão imensa nas cabeças das pessoas do mundo todo. Ao invés de trabalharem juntas para o desenvolvimento da humanidade, a ciência e as religiões, muitas vezes, ultrapassam os limites do bom senso e causam à humanidade transtornos desnecessários como a ridicularização da fé por parte da ciência e o sectarismo religioso.


Evidente que essa reflexão entre ciência e religiões não é somente minha. Aliás, não fui o primeiro e nem serei o último a refletir e raciocinar sobre esse tema. Tampouco sou o primeiro ou o último a questionar a bíblia. Eu sou apenas mais um que há muito tempo questiona coisas que não são claras e que muita gente não se preocupa por ignorância ou comodismo. 


Assim como muitos, busco orientação. Nessa busca, eu me deparei com diversas religiões, seitas, rituais, mães-de-santo, filosofias, lendas, estudos, pessoas sérias e picaretas. Entre tantos caminhos, um dia, cheguei ao espiritismo. Eu havia escutado a respeito de Allan Kardec e seus livros mas nunca tinha, efetivamente, estudado ou lido algo a fundo. Eu tinha uma idéia bem nebulosa do que era a doutrina. Ao me interar sobre o que se tratava, mediante leitura do livro "A Gêneses" de Allan Kardec, eu me convenci de que se hoje há um caminho que traga respostas e esperanças para o futuro, esse é o caminho da doutrina espírita.

Por que espiritismo? Por que a codificação apresentada por Allan Kardec e posteriores publicações de diversas pessoas, trouxeram à luz temas e discussões que dificilmente eram tratados seriamente até então e que, em muitas ocasiões e lugares, eram proibidos por determinadas leis religiosas. A doutrina espírita nos traz a liberdade de expressão e pensamento onde não há espaço para dogmas e fé cega. 


O raciocínio lógico é alicerce para discussão sobre temas de qualquer natureza. 
Além de lógica e bom senso, essa doutrina foi construída através de metodologia científica empregada por Allan Kardec, em 1857, e os resultados de seus trabalhos foram e ainda são comprovados em diversos lugares do mundo até os dias de hoje. Através do estudo dessa doutrina, pude verificar que há muito mais em outras doutrinas que eu poderia imaginar. Hoje, eu consigo entender o conceito da palavra religião e enxergar, com respeito e sabedoria, as alegorias contidas em qualquer escritura sagrada. A filosofia contida na codificação espírita é base para minha reforma íntima. E é através dessa reforma que eu descubro, todos dias, uma nova perspectiva de vida, longe de sectarismo e proselitismo de qualquer religião.


Ricardo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Por que Espiritismo - Parte 2


Nas páginas seguintes vieram Caim e Abel, sendo que esse último foi assassinado. Isso não era nada comum para mim, entretanto, muito mais estranho foi ver que justo na página seguinte, sem nenhuma outra página no meio, sem qualquer explicação razoável, havia uma população inteira! Isso mesmo! Na gravura seguinte ao que só haviam pessoas da primeira família da bíblia, já existia uma população relativamente grande. O mundo tinha sido povoado rapidamente e com direito à casebres, rebanhos de cabras e muitas outras coisas de uma tribo relativamente estruturada. Nesse momento eu entrei em parafuso e pensei “Pare! Já tá difícil acreditar agora...”. Não aguentei a angústia e pedi ajuda ao meu pai.  O senhor Osmar veio em meu socorro, viu o livro, olhou as gravuras, leu os textos, coçou a cabeça e disse – Nilza! (minha mãe), dá um pulinho aqui???

Nem um, nem outro, nem ninguém no mundo durante muito tempo conseguiu me explicar como é que uma população inteira poderia ter vindo de algumas poucas pessoas. Isso era ilógico mesmo para um menino de 8 anos de idade. Aceitar que essa situação foi real seria o mesmo que ignorar a possibilidade de incesto, pedofilia e problemas de consanguinidade. Enfim, um absurdo. Pior que isso foi verificar que algumas personagens viveram muito tempo pra trazer muita gente à vida. Adão, por exemplo, de acordo com as escrituras, viveu aproximadamente 930 anos (NOVECENTOS E TRINTA ANOS). Isso mesmo! Há outros que vieram na sequência como Sete, terceiro filho de Adão e Eva, que morreu aos 912 anos, Enos aos 905, Cainan aos 910, (...), até chegar, por exemplo, em Isaque, que viveu modestos 180 anos.

Não, não e não. Não dava pra entender e reverenciar a bíblia como uma escritura sagrada. É muito alegórico. É fantasioso demais. Foge ao bom senso. De certa forma, dependendo de como é empregada, afasta o homem de Deus e passa a ser fomento para o ceticismo científico.

Durante séculos, a bíblia sagrada fora o instrumento mais poderoso no controle das massas e serviu de base para muitas religiões e milhares de seitas. Entretanto, ao longo dos séculos, a distância entre as escrituras e a ciência foi aumentando. A razão, lógica e o bom senso,  associados ao desenvolvimento da ciência, levaram as escrituras sagradas e seus seguidores à um patamar secundário na sociedade, e, que, por muitas vezes, estão sujeitos à preconceitos e discriminação. É muito comum pessoas que defendem a bíblia ou qualquer outra escritura sagrada como a Torá, Alcorão e Vedas, serem tratados como fanáticos porque "assim está escrito". Infelizmente, "a palavra" que originalmente fora escrita de maneira alegórica por razões óbvias (condição moral e intelectual de cada povo na história), não foi traduzida adequadamente ao longo do tempo. Pior do que isso, é verificar que ainda nos dias de hoje essas alegorias e contos fantásticos são usados para exercer controles sobre as massas e atravancar o progresso da humanidade.



*Essa história continua no próximo post...